18.9.05

O que dizem os candidatos: Franscisco Assis

Francisco Assis em entrevista no Público de hoje, edição impressa

«Vai dar continuidade ao projecto da Avenida dos Aliados?
Não podemos estar a interromper todos os projectos que vêm de trás, sob pena de criarmos uma instabilidade absurda.
Tenho dúvidas sobre a forma como o projecto avançou, mas sou sensível aos argumentos dos arquitectos e estou expectante em relação ao resultado final. Quero mudar o que for preciso mudar, mas não vou demonizar aqueles que me antecederam nem dizer que comigo começa o ano zero.»

"(...) sou sensível aos argumentos dos arquitectos..." !? Quais e porquê?
E não está sensível aos argumentos de quem contesta o projecto? Faltou dizer justamente isso, acrescentar: ... mas estou também muito sensível aos argumentos de quem não quer ver o património da sua cidade destruído....
Era a frase que faria a diferença. Porque isto da vénia aos arquitectos estamos nós fartos!

E já agora: está mesmo a par de todo o processo? Tem conhecimento dos atropelos à lei? Das queixas e exposições feitas? Olhe que os argumentos dos arquitectos deixam muito a desejar e já foram rebatidos, principalmente aquilo da uniformidade... Claro que há a "coroa de glória" (como proclamou Souto Moura na Assembleia Municipal) mas essa motivação não se pode considerar propriamente um argumento.

"Quero mudar o que for preciso mudar..."
Vá lá. Há uma réstea de esperança.

É o que se chama "uma no cravo e outra na ferradura", mas assumindo que a ferradura é a parte da nossa causa, sabe a pouco, sabe a muito pouco este discurso cauteloso, "político".
......
Desconfio que estas declarações vão desiludir muita gente, a começar por pessoas que, por exemplo, vão estar hoje como convidados intervenientes no colóquio de encerramento do Forum Cidade do Porto e que subscreveram o Manifesto. Querem nomes? Aqui ficam alguns:
Pedro Bacelar de Vasconcelos - Candidato à Presidência da Assembleia Municipal do Porto
Rio Fernandes - Prof. Catedrático de Geografia
Teresa Andersen – Directora do curso de Arquitectura Paisagística da FCUP
Braga da Cruz – Prof. Catedrático da FEUP, Deputado

(...)

6 Comments:

Anonymous Lferreira said...

Hoje em dia para um político mais vale um nome sonante, tipo Sizo Moura ;-) do que as leis, PDMs, e outras "chatices" do género. O povo quer festa. Seja um partido ou outro, candidato ou outro, veja-se as "fantásticas" obras de falta de humanidade e desconforto dos arquitectoides - a marginal de Matosinhos e Leça, o remate da Av. Boavista, a estação de metro da Boavista - monumentos ao granito, asfalto e cimento - nada de "verde", nada de sombra - só a aridez projectada por arquitectos, que na frescura do ar condicionado dos seus gabinetes, se deliciam com as linhas "puras" dos seus planos desumanos.

18/9/05 12:56  
Blogger Teófilo M. said...

Mais uma vez, Assis resvala quando confrontado com situações concretas!

Mesmo o 'expectante em relação ao resultado final' quer dizer o quê?

-No final vemos e se não gostarmos altera-se, ou

- Vamos esperar e ver o que se passa na AR e depois decidir em conformidade?

Será salutar que um político revele respeito por um criador, mas já que se incline subserviente perante todas os seus apetites é já outra coisa.

18/9/05 13:41  
Blogger MárioPessegueiro said...

Pelo comentário proferido de que os arquitectos desejam somente "linhas puras" e nada de "verde" tenho obviamente que me insurgir. Pois sou arquitecto e defensor tenaz das árvores e ambientes verdejantes nos meios urbanos. E há muitos como eu. Talvez não estejam na Av. dos Aliados mas isso é outra coisa.Mas é verdade que os arquitectos estão a ficar com esta fama, de aridez mental nas suas concepções. Hoje por acaso estiva na Pr. da Batalha e o que se fez ali é mais ou menos o que se vai fazer nos Aliados. Falta de verde e cor,falta de pontos atractivos para as pessoas disfrutarem o local, uma fonte ridícula agarrada a nada, e espaço mais destinado às pombas do que aos cidadãos. Projectada po um amigo dos arquitectos Aliados ( Adalberto Dias ) está em consonância com o Porto 2001. Esta "revolta" é salutar, mas já devia ter sido mais cedo. Talvez hoje o "Siza Moura" contemplassem e respeitassem as áreas permeáveis tão exigidas no PDM novo do Porto que tarda em ser aprovado.

Quanto ao F. Assis nada de novo nas suas palavras. Se calhar as chapadas de Felgueiras até foram merecidas!!!

18/9/05 16:10  
Blogger AM said...

Cara Manuela

Apesar de, por princípio, não votar, não escondo que gostaria de ver Assis substituir Rio na presidência da CMP.
Do que lhe tenho ouvido, tem-me parecido razoavelmente sensato e sério (o que quer que isso signifique para um profissional da política) e, claramente muito muito preferível à falta de honestidade e de respeito pela cidade e pelas pessoas demonstrada por Rui Rio.
Chocou-me ouvir essa sua posição relativamente à Av. dos Aliados.
Confio que a gente "BOA" (e que a Manuela refere) que o acompanha saiba fazer o que deve :-)

AMNM

19/9/05 13:03  
Anonymous Francisco Rocha Antunes said...

Afinal também por aqueles lados há sempre uma razão conveniente para adiar, só por mais "esta" vez, a aplicação da regras do Estado de Direito. A Lei do Funil, em que se vira a parte do dito para o lado que nos dá mais jeito, continua a vigorar.
A legalidade segue dentro de momentos....

20/9/05 17:45  
Blogger manueladlramos said...

É só para memória futura...(tinha-me escapado)
da entrevista a FA no
«Uma grande praça nos Aliados
Não sou insensível aos princípios que estão na base do projecto de Siza Vieira e Souto Moura. A ideia de transformar os Aliados numa grande praça agrada-me. Acho que isso é bom para a cidade. Este assunto seria sempre polémico, porém, trata-se de uma alteração do centro simbólico da cidade do Porto e merecia um outro tipo de participação das pessoas.»
"Jornal de Notícias"
09 de Julho 2005

14/10/05 07:38  

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